No dia 28 de outubro de 2025, o Rio de Janeiro testemunhou o que já é considerado o maior desastre de segurança pública da história do Brasil. A operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou ao menos 130 mortos — entre eles civis e policiais — escancarou uma política de segurança baseada na lógica da guerra, não da proteção.
Um dos agentes mortos tinha apenas 40 dias de profissão. Jovens, negros, pobres — os alvos de sempre — foram dizimados em uma ação que, segundo especialistas, teve como premissa o “atirar para matar”. Não houve inteligência, planejamento ou respeito à vida. Houve sangue. Houve dor. Houve silêncio institucional.
O Estado como agente da barbárie
A operação foi vendida como necessária para combater o tráfico. Mas o que se viu foi um massacre. Corpos abandonados em áreas de mata, relatos de execuções sumárias, desaparecimentos e uma população aterrorizada. O governo do estado, ao invés de prestar contas, se limitou a comemorar o “sucesso” da ação, ignorando o luto e a indignação que tomaram conta das comunidades.
A pergunta que ecoa é: até quando? Até quando o Estado brasileiro vai tratar favelas como território inimigo? Até quando a vida de um jovem negro será descartável?
Segurança pública não é extermínio
A segurança pública precisa ser pensada com base em direitos, não em vingança. A militarização das favelas, a ausência de políticas sociais e a criminalização da pobreza são ingredientes de um modelo falido, que só gera mais violência. O que aconteceu no Rio não é exceção — é sintoma.
O que fazer?
É urgente exigir:
- Investigações independentes e transparentes
- Responsabilização dos agentes e gestores envolvidos
- Revisão da política de segurança pública
- Investimento em educação, saúde, cultura e oportunidades nas periferias
A vida nas favelas importa. E enquanto o Estado insistir em ignorar isso, estaremos todos falhando como sociedade.


